Capítulo 48 - O plano perfeito

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To Love-Ru Darkness 3: Onde as Estrelas se Dissolvem


Escrita por: Matheus Leandro (Magnatah)

Capítulo 48 - O plano perfeito

No Capítulo Anterior...
A manhã começa com Mikado pedindo a Tearju que acorde Rito e Lala. Tearju encontra os dois nus e fica chocada ao saber que fizeram amor. Embaraçada, ela foge. Na cozinha, Mikado tranquiliza Tearju, explicando que, como futuros reis do universo, eles vivem sob regras diferentes, e provoca Tearju por sua reação. Oshizu também testemunha uma cena íntima do casal e fica preocupada com as implicações para Haruna.

No café da manhã, Lala demonstra seu amor de forma desastrada, mas doce, e Rito a reconforta. Em seguida, Mikado revela a Rito, em seu laboratório, que ele é o primeiro de uma nova espécie, e que ela e Tearju estão trabalhando para resolver sua atual incapacidade de se reproduzir. A reação sincera de Rito deixa Mikado momentaneamente sem fôlego.


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O sol da manhã filtrou-se pelas cortinas de veludo do consutório, iluminando partículas de poeira que dançavam no ar. Rito Yuuki ajustou a gola de sua roupa. Seus músculos, definidos sob o tecido, se contraindo por causa do nervosismo.

"Doutora Mikado, agradeço novamente por ter nos hospedado. Eu vou indo, então-" Suas palavras foram cortadas pelo movimento súbito da cientista.

Mikado cruzou a distância entre eles com passos felinos, invadindo seu espaço pessoal até ficar a meros centímetros de seu rosto. Seus dedos, hábeis e curiosos, encontraram os fios rebeldes de seu cabelo castanho, brincando com eles de forma distractora. Um perfume complexo, mistura de produtos químicos limpos e uma fragrância floral exótica, envolveu Rito.

"Yuuki-kun, Yuuki-kun." Sussurrou ela, sua voz um mel sedutor. "Você passou em todos os meus testes com louvor… e agora tenho uma proposta bastante interessante para fazer." Seu sorriso não chegava completamente aos olhos, que observavam atentamente cada microexpressão em seu rosto, deixando-o profundamente nervoso.

"Testes?" Pensou Rito, confuso.

"Que… que tipo de proposta, Doutora?" Perguntou ele, sua voz um pouco mais firme do que ele esperava, mas ainda carregada de desconfiança.

"Fique tranquilo, não precisa olhar para mim como se eu fosse dissectar você agora mesmo." Ela riu, um som claro e musical, enquanto seus dedos desciam para alisar a gola de sua roupa hospitalar. "Embora a ideia tenha seu apelo… Mas não hoje. Hoje, falemos de reparações."

Ela deu um passo para trás, mas sua presença ainda dominava a sala. "Criei um plano meticuloso para você ter uma chance real de recuperar sua amizade - ou quem sabe algo mais - com Sairenji Haruna e Kotegawa Yui."

Os nomes ecoaram na mente de Rito como um sino. A expressão de desconfiança em seu rosto dissolveu-se, substituída por uma esperança frágil e dolorosa. "Sairenji… Kotegawa…" Ele não precisava fechar os olhos. A imagem de Haruna, com seu sorriso doce e tímido, e de Yui, com sua determinação feroz e o rosto que facilmente se ruborizava, inundou seus pensamentos. A dor da distância, do afastamento causado por circunstâncias nada absurdas, apertou seu peito.

"O diretor da Academia Sainan, devidamente… convencido por certos argumentos científicos que apresentei, aprovará um Festival de Talentos interclasses. Todos os alunos serão divididos em grupos de cinco pessoas, 'aleatoriamente', é claro." Ela fez aspas no ar com os dedos, e um sorriso maroto iluminou seu rosto. "E eu, com a ajuda de um algoritmo meu muito particular, já montei o seu grupo."

"Já? Quem… quem vai estar comigo?" A ansiedade fez com que Rito se inclinasse para frente, seus punhos se cerrando levemente ao lado do corpo.

Mikado recuou até sua cadeira de escritório, sentando-se com a graça de uma gata. "Seu grupo será composto por: você, Sairenji Haruna, Kotegawa Yui, Run Elsie Jewelria e Saruyama Kenichi."

Rito processou a informação. Haruna e Yui juntas. Era uma chance. Mas… "Entendo a ideia de ter Haruna e Kotegawa… mas Run e Saruyama? Por quê?"

"Elementar, meu caro Yuuki." Mikado apoiou o queixo na mão. "Saruyama é o elemento de contenção. Sua presença, e a suposição de que ele é seu amigo próximo, impede que outra garota  ou pior, uma das suas outras namoradas - seja sorteada para o grupo e… complique meu plano. Já Run…" Seus olhos brilharam com inteligência estratégica. "Run é o catalisador. O gatilho. Ela é apaixonada por você de forma aberta e desinibida. Durante os treinos e preparações, é inevitável que ela se agarre a você, que busque sua atenção constantemente. Esse comportamento, observado por Sairenji e Kotegawa, que já estão há tempos privadas de sua proximidade, funcionará como um poderoso combustível para o ciúme."

Ela fez uma pausa dramática, deixando a lógica se instalar na mente de Rito. "Se os sentimentos delas por você são genuínos, e eu tenho quase certeza que são, essa situação será insuportável. A saudade, somada ao ciúme, criará uma pressão emocional que demandará uma válvula de escape. E essa válvula será uma reaproximação, uma tentativa de reivindicar espaço ao seu lado. Elas só precisam de um empurrãozinho… ou, no caso, da competição óbvia."

Rito ficou impressionado. O plano era diabólico, mas fazia um sentido terrível. "E… e é só isso?"

Mikado soltou uma risada baixa. "Oh, pensando como um verdadeiro dono de um harém em crescimento, percebo. Bem, veja como um bônus: se você for hábil, pode usar a situação para adicionar Run também ao seu harém. Três pássaros com uma pedrada só, não?" Seu sorriso era pura satisfação.

"T-Três?! Doutora, vamos com calma, por favor!" O rosto de Rito ficou em brasa. A menção direta a sua complicada situação amorosa - que incluía Momo, Nana, Lala, Mikan e Risa - sempre o pegava desprevenido.

"Agora." Continuou Mikado, ignorando seu constrangimento. "Vem a parte da minha contrapartida. Toda proposta tem um preço. Se o meu plano funcionar e você restabelecer laços com Sairenji e Kotegawa, você se comprometerá a ser minha cobaia por um dia inteiro. Vinte e quatro horas dedicadas à… pesquisas..."

Ela piscou para ele, e um calafrio percorreu a espinha de Rito. Ser cobaia da Doutora Mikado… A mente dele foi inundada com imagens de experimentos bizarros, coisas pervertidas, máquinas reluzentes e aquele olhar científico, ávido e insaciável. Era genuinamente aterrorizante. Mas então, as imagens de Haruna evitando seu olhar e de Yui virando o rosto com força passaram por sua mente. A solidão daqueles últimos dias pesou sobre ele. Ele não aguentava mais aquela distância.

Seus olhos, que estavam vagando pelo chão de mármore, se ergueram e encontraram os de Mikado. Havia uma nova determinação neles, uma centelha da força que seu corpo agora possuía. "Eu aceito." Ele afirmou, sua voz inicialmente trêmula, mas que se firmou no final.

"Excelente! Uma escolha brilhante, Yuuki-kun, você não se arrependerá!" O sorriso de Mikado se alargou, tornando-se quase predatório. "Vai ser esplêndido! Acho que até vou ampliar a banheira..."

"A-Ampliar o quê? Que banheira?!" Rito engasgou, os olhos arregalados.

"Nada relevante para agora, meu jovem Yuuki." Ela cantarolou, fazendo um gesto shoo com as mãos. "Vá descansar e mentalizar sua estratégia. Lembre-se: é um festival de talentos. Seu grupo de cinco precisará criar uma apresentação para toda a escola. Absolutamente ninguém pode saber que isso foi orquestrado. Em breve, o diretor fará o anúncio geral e a divisão 'aleatória' dos grupos será divulgada. Até lá, discrição total."

"E-Entendido. Muito obrigado, Doutora Mikado. De verdade." Rito fez um curto aceno de cabeça, uma mistura de gratidão e apreensão, e saiu rapidamente da sala, seu coração batendo forte contra as costelas.

Enquanto a porta se fechava, Mikado se recostou na cadeira, seu sorriso se transformando em algo íntimo e calculista. "Aprecio a lealdade que você tem por essas duas… não vou pular a vez delas." Sussurrou para o vazio, seus dedos batendo levemente na mesa. "Mas na fila, eu também estou. E quando for a minha vez… bem, tenho tantos experimentos em mente para nós, Yuuki Rito." Um rubor suave subiu às suas maçãs. "E eu vou… brincar com você até não aguentar mais."
Um calafrio intenso, como se um cubo de gelo tivesse deslizado por sua nuca, percorreu Rito enquanto ele atravessava os longos e suntuosos corredores da mansão de Mikado. Ele abriu caminho até a cozinha, buscando talvez uma xícara de água para acalmar os nervos.

Ao entrar, no entanto, a cena que se apresentou fez com que seus pensamentos sobre o plano de Mikado fugissem completamente de sua mente.

A cozinha era um caos de sensualidade inadvertida. Oshizu, normalmente vestida com roupas tradicionais, estava irreconhecível. Usava um biquíni minúsculo e rendado de um azul claro, que mal cobria seus atributos, suas longas pernas totalmente à mostra.
Lala, por sua vez, estava… basicamente nua. Um avental branco, daqueles fofos com babados, estava amarrado em sua cintura, cobrindo a frente de seu corpo, mas suas costas, pernas e a lateral dos seios estavam completamente expostos. O cabelo rosa estava preso de qualquer jeito, e ela olhava para Oshizu com um sorriso de aprovação.

"P-POR QUE VOCÊS ESTÃO VESTIDAS ASSIM?!" S voz de Rito falhou, saindo em um estridente. Seus instintos mandaram ele desviar o olhar, mas o choque visual foi tão intenso que seus olhos, contra sua vontade, percorreram rapidamente a figura deslumbrante de Lala antes de se prenderem, horrorizados e fascinados, nas curvas audaciosas de Oshizu.

A confusão estampada no rosto de Rito era evidente ao perceber o D-Dial na mão de Lala. "Mas como você está com o D-Dial? Ele não ficou em casa?"

Um sorriso vitorioso iluminou o rosto de Lala. "Tudo graça à minha última invenção: o 'Warp Ring-Kun'!" Ela ergueu a mão, mostrando um delicado anel transparente no mindinho. "Ele teleporta o D-Dial para mim instantaneamente, e o melhor: é completamente à prova do Pyon-Pyon Warp-Kun!"

"Tomara que mais essa invenção maluca não vire uma bagunça" Pensou Rito, contendo um suspiro resignado. De repente, uma lembrança o fez revirar os olhos.

"Espere um pouco... Por que não usou esse anel ontem, então?" Perguntou Rito olhando para Lala em busca de uma resposta decente.

Lala simplesmente piscou, como se a resposta fosse óbvia. "Ops! Esqueci completamente!" Disse ela, dando uma risada despreocupada e uma soquinho típica em sua própria cabeça.

"Rito! Olha só!" Exclamou Oshizu, girando sobre si mesma, alheia ao colapso mental do jovem. "A Lala tem um aparelho transformador de roupas incrível! Não é fofo?"

"Ficou muito bonito em você, Oshizu! Combina com seus olhos!" Lala concordou, feliz, balançando levemente o corpo e fazendo o avental se mover perigosamente.

"Concordo, mas por-" Rito tentou recuperar o fôlego e a racionalidade.

Suas palavras foram cortadas pela entrada de mais alguém. Tearju, com um corpo que desafiava as leis da física, congelou no limiar da porta, seus olhos percorrendo a cena. "O-O que…? Meninas, o que estão fazendo vestidas… ou não vestidas… assim na cozinha?" Sua voz era mais de perplexidade genuína do que de reprovação.

"Tearju-sensei! É que-" Rito tentou se explicar, mas Lala, foi mais rápida.

"A Oshizu perguntou pelo Peke, e eu expliquei que ele ficou em casa, mas que eu tinha outra invenção para trocar de roupa. Ela quis experimentar e eu deixei! É muito divertido!" Explicou Lala, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

"Ah… ahn… foi só isso?" Rito e Tearju disseram em uníssono, aliviados por uma explicação que, no contexto daquele momento, até fazia sentido. Os dois trocaram um olhar e riram nervosamente, um momento de cumplicidade no absurdo.

"Tearju-sensei quer experimentar também? Tem mais um equipamento aqui!" Ofereceu Lala, animada, pegando um pequeno broche em formato de coração e avançando em direção à professora com intenção clara.

"Lala, espera! Não é uma boa-!" Rito agiu por instinto, lançando-se para frente para interceptá-la.

O movimento súbito assustou Oshizu, que estava perto da bancada. Ela deu um pulo para trás, seu cotovelo atingindo um copo de chá meio cheio. O líquido quente se derramou no piso de azulejos, formando uma poça escorregadia. Rito, focado em parar Lala, pisou exatamente naquele ponto. Seus pés voaram para frente.

"Oqu-" OOF!

Seu corpo, musculoso e pesado, colidiu de frente com o de Lala, que por sua vez foi projetada contra Tearju. Os três grunhiram e caíram no chão em um emaranhado de membros, avental, tecido de biquíni e pele. O ar saiu dos pulmões de Rito com força.

Por um momento, houve apenas silêncio e confusão de corpos. Rito, com o rosto enterrado em algo macio e perfumado, lutou para entender por que estava com dificuldade para respirar. Instintivamente, ele usou as mãos para se empurrar para cima, tentando se livrar do peso.

Foi então que sua mente registrou duas sensações simultâneas e catastróficas. Sua mão direita estava firmemente apoiada na suave e quente parte interna da coxa de Lala, sob o avental. A mão esquerda, no entanto, havia encontrado algo infinitamente mais macio, redondo e generoso. E, com a força inconsciente de seus músculos treinados, seus dedos haviam se enterrado profundamente naquela maciez, encontrando não o tecido de um sutiã, mas a fina renda de um biquíni que cedera sob a pressão.

"AAH~N! Yu-Yuuki-kun…!" A voz de Tearju, normalmente calma, saiu como um gemido abafado e agudo, carregado de um choque que rapidamente se transformava em constrangimento fervilhante. "E-Eu… não estou… acostumada com esse tipo de… coisa…"

O cérebro de Rito levou um milésimo de segundo para processar a informação. A voz era de Tearju. A maciez era… Oh, céus. Ele olhou para baixo, para sua mão esquerda. Ela estava totalmente moldada ao seio esquerdo de Tearju, o biquíni rosa-choque tinha sido empurrado para baixo, e seu polegar estava escorregando perigosamente perto do mamilo rosado e já ereto que estava agora parcialmente exposto.

"T-TEARJU-SENSEI! PERDÃO! FOI SEM QUERER!" Ele gritou, retirando as mãos com um movimento brusco de pânico.

O movimento, infelizmente, foi desastrado. A mão no seio puxou o tecido do biquíni para baixo em seu recuo, fazendo com que a alça fina estalasse e a peça superior se deslocasse completamente, revelando ambos os seios magníficos e pálidos de Tearju, com seus mamilos rosados agora totalmente visíveis e pontiagudos devido ao choque e ao atrito.
"Kyaaa!" Tearju soltou um gritinho de pura vergonha, cruzando os braços sobre o peito num reflexo instantâneo, seu rosto se tornando uma belíssima tonalidade de escarlate. Ela virou o rosto para o lado, incapaz de olhar para alguém.

Rito se jogou para o outro lado, seu próprio rosto queimando como se estivesse sob o sol. Seu coração martelava contra seu peito. "Não pense. Não pense nos seios. Não pense no quão macios eram. Não pense no gemido dela. CONTROLE-SE, YUUKI RITO!" Ele repetia o mantra mentalmente, suando frio.

Lala, um pouco atordoada mas ilesa, ajudou uma Tearju extremamente envergonhada a se levantar. Rito, mantendo os olhos rigidamente fixos no teto, ouviu o farfalhar de roupas sendo recolocadas em ordem. Oshizu, que assistira a tudo imóvel e de boca aberta, finalmente se mexeu para ajudar, passando as roupas normais de Tearju para ela. Em segundos, as três estavam novamente vestidas de forma apropriada - Lala com um vestido preto tranparente, Oshizu com seu quimono, e Tearju, ainda com o rosto vermelho, ajustando sua roupa.

O silêncio que se seguiu foi espesso e carregado. Rito se levantou devagar, esfregando a nuca.

"Desculpe… de novo, Tearju-sensei." Ele murmurou, fazendo uma reverência profunda. "Essas quedas… elas parecem ter vida própria. Está totalmente fora do meu controle."

Tearju, após respirar fundo algumas vezes, conseguiu recuperar um pouco da compostura profissional. Seus olhos, porém, ainda brilhavam com um misto de vergonha e… interesse aguçado? 

"Essas… suas quedas acidentais… a física por trás delas, a sincronicidade dos eventos que levam a esses… resultados…" Ela limpou a garganta. "É um fenômeno que me deixa extremamente curiosa. Gostaria de estudá-lo um dia, com seu consentimento, é claro."

Rito piscou, completamente perdido. "Hã? S-Sim… Tá…" Ele concordou, sem entender bem o que estava aceitando.

Bzzzt! Bzzzt!

Um alarme estridente ecoou do bolso do jaleco de Tearju. Ela pegou seu celular e seus olhos se arregalaram. "Céus! Já está quase na hora do início das aulas! Vocês precisam se arrumar e ir para a escola, imediatamente!"

A realidade do dia comum caiu sobre eles como um balde de água fria.

"Tem razão! Lala, vamos para casa, agora!" Rito agarrou a mão de Lala, sentindo a familiar e reconfortante textura de sua pele.

Lala olhou para suas mãos entrelaçadas, e um sorriso genuíno, doce e cheio de afeto, iluminou seu rosto. A confusão da cozinha parecia ter evaporado para ela naquele gesto simples.

"Estamos muito longe do bairro de vocês." Observou Oshizu, preocupada. "Como vão chegar a tempo?"

Rito sorriu, uma centelha de confiança voltando aos seus olhos. Ele ergueu a mão livre. "Deixe comigo. É uma das vantagens dos meus… novos talentos."

O ar em frente a ele começou a vibrar e cintilar. Um portal apareceu. O espaço dentro do círculo se desmanchou, revelando não o que estava do outro lado da cozinha, mas o familiar quarto de Rito, Lala e suas irmãs na casa dos Yuuki. O portal brilhava com uma luz dourada intensa, bordejada por uma aura azul-celeste que pulsava suavemente.

"Tearju-sensei, Oshizu, obrigado por tudo. E por favor, agradeçam à Doutora Mikado novamente por mim." Disse Rito, com um último aceno. Ele e Lala, ainda de mãos dadas, deram um passo adiante e foram engolidos pela luz. O portal se fechou atrás deles com um whoosh suave, deixando para trás apenas o ar ligeiramente ionizado.

Oshizu ficou paralisada, olhando para o ponto vazio onde o portal havia estado. "O que… o que foi aquilo?"

"Vou te explicar tudo o que sei, Oshizu. E depois… preciso atualizar meus planos de pesquisa." Respondeu Tearju pensativa.

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Casa dos Yuuki...
Na casa dos Yuuki, o despertador ainda não tinha soado, mas Momo já estava acordada. Seus olhos roxos estavam abertos, fixos no teto, sua mente fervilhando desde o instante em que recuperara a consciência. Rito e Lala. Sozinhos. A noite toda no espaço virtual de Lala. A ansiedade era um bicho roedor dentro dela. O plano dela teria funcionado? A ideia a excitava e a deixava nervosa ao mesmo tempo. Ela não aguentava mais a incerteza.

Silenciosamente, ela saiu da cama e se aproximou de uma seção da parede que parecia ser um espelho grande. Era, na verdade, um portal para o Espaço virtual de Lala. Momo tocou uma sequência quase imperceptível atrás da moldura, e o "espelho" ficou opaco antes de se transformar em um vórtice suave de energia rosa.

O barulho sutil acordou Nana. A garota se espreguiçou, esfregando os olhos. "Mmm… Momo? O que você está fazendo? Não é melhor… deixar o Rito e a Ane-ue terem seu tempo sozinhos?" Sua voz era rouca de sono, mas carregada de uma compreensão matreira.

Momo deu um salto, pega em flagrante. "Ah! S-Sim, é claro! Eu só… estou um pouco preocupada. Só isso." A desculpa saiu fraca.

Nana sentou na cama, observando a irmã com um olhar penetrante que contrastava com sua aparência infantil. Um lento sorriso se espalhou por seu rosto. "Você está é morrrendo de curiosidade para saber se o seu plano deu certo, não está? Quer saber se eles finalmente fizeram!"

"E-Eu não… tá bom! É isso sim!" Admitiu Momo, derrotada, suas bochechas corando. "E você também está curiosa, não tente negar!"

Nana riu baixinho, sem negar. "Bem, já que estamos acordadas…" Ela pulou da cama, sua energia surgindo rapidamente. "Vamos dar uma olhada."

As duas irmãs Deviluke entraram no portal, mergulhando no labirinto dimensional cheio de engenhocas bizarras, peças sobressalentes e projetos meio terminados. Elas procuraram por toda parte - nas áreas de descanso, nos laboratórios, até perto do gigantesco robô de batalha inacabado. Nada. Nenhum sinal de Rito ou Lala.

De volta ao quarto, depois de uma busca inútil, Nana estava genuinamente chocada. "Eles sumiram! Não estão aqui, não estão no espaço virtual…"

"Será que foi alguma invenção nova da Onee-sama? Algo que os levou para outro lugar?" Momo mordeu o lábio, preocupada. "Eu vou tentar ligar para o celular del-"

Whoosh.

Antes que ela terminasse a frase, o ar no meio do quarto se distorceu. Um portal dourado, idêntico ao que Rito criara na cozinha de Mikado, rasgou o espaço. Da luz intensa, saíram Rito e Lala, ainda de mãos dadas. Rito parecia um pouco cansado, mas são e salvo. Lala… Lala irradiava uma felicidade tranquila e um brilho nos olhos que Momo nunca vira antes.

"Ane-ue!" Nana não pensou duas vezes. Ela se lançou nos braços de Lala, abraçando-a com força.

Momo soltou um longo suspiro de alívio, seus ombros relaxando. "Onee-sama, Rito… que bom que estão bem. Estávamos começando a ficar preocupadas."

Então, os olhos analíticos de Momo funcionaram. Ela viu as mãos entrelaçadas. Viu a postura relaxada de Lala, a maneira como seu corpo parecia se inclinar levemente na direção de Rito. Viu a expressão suavemente satisfeita no rosto de sua irmã mais velha. E viu o rubor fugaz que subiu ao rosto de Rito quando seus olhos se encontraram com os dela.

"Hum…" Momo cruzou os braços, um sorriso lento e conhecedor se formando em seus lábios. "Onde exatamente vocês estiveram a noite toda? E, mais importante…" Ela inclinou a cabeça, seus olhos cintilando com curiosidade maliciosa. "Aconteceu alguma coisa entre vocês?"

A reação foi instantânea e deliciosamente reveladora. Rito e Lala se viraram um para o outro, e então, como se puxados por um fio, desviaram o olhar para lados opostos da sala. Um rubor profundo e uniforme subiu do pescoço de Rito até a raiz de seus cabelos. Lala cobriu o rosto com as mãos, mas a ponta de suas orelhas estava vermelha como pimenta.

"QUEEEEEEE?! É SÉRIO MESMO?! VOCÊS REALMENTE FIZERAM?!" Momo não conseguiu conter a explosão. Seus gritos de pura excitação e curiosidade satisfeita ecoaram pelo quarto.

"O-O QUÊ?!" Nana soltou Lala e recuou um passo, seus olhos arregalados como pratos, indo de Lala para Rito e de volta para Lala.

Lala, após uma longa pausa em que pareceu lutar contra a própria timidez - uma emoção rara para ela -, baixou as mãos. Seu rosto estava escarlate, mas havia um sorriso pequeno e incrivelmente feliz em seus lábios. Ela olhou para os pés. "Sim…" Ela murmurou, quase inaudível. "Algumas vezes…"

"ALGUMAS VEZES?!" Momo repetiu, seu olhar agora se fixando em Rito com uma intensidade mortal. "Como assim 'algumas vezes'?"

"A culpa… a culpa não é do Rito!" Lala se apressou em dizer, erguendo as mãos em defesa. "Ele… ele estava muito cansado e queria descansar, mas… eu… eu acabei me empolgando muito. E… bem… no final, perdemos a conta de quantas vezes foram." A última parte foi sussurrada, e ela escondeu o rosto novamente, seus ombros tremendo levemente de vergonha e felicidade contida.

"SEU…! SEU…!" Nana gritou, mas sua raiva era claramente teatral, misturada com um choque genuíno e… uma pontinha de inveja? Ela pegou o travesseiro mais próximo e atirou com força na cabeça de Rito. Thump!

O golpe foi mais simbólico do que qualquer coisa. Rito nem tentou se esquivar, aceitando o "castigo". Ele sabia que Nana não estava brava pelo ato em si, mas sim pela escala. A ideia de eles terem feito várias vezes enquanto ela e Momo fizeram apenas uma vez, era… provocante.

"Rito!" A voz de Momo baixou para um tom perigosamente doce e mandão. Ela se aproximou dele, seu olhar fixo. "Você está devendo algo para mim e para a Nana, não está?"

Rito sentiu o mesmo calafrio profundo que sentira na sala de Mikado. A aura de Momo quando ela estava nesse modo era avassaladora. Ele involuntariamente se endireitou, como um soldado diante de seu comandante.

"S-Sim! Com certeza! Faço qualquer coisa!" As palavras saíram num jorro, e ele até se ajoelhou levemente, num gesto de submissão instintiva.

"Que bom que entende." Disse Momo, satisfeita, um sorriso vitorioso em seus lábios. Ela se virou para Nana. "Sendo assim, vamos marcar. Um dia, Rito passa uma noite inteira comigo. Noite seguinte, uma noite inteira com você. Justo, Nana?"

"U-Uma noite… inteira? Só eu… e ele?" Nana murmurou, seu rosto se incendiando. A imagem a inundou, fazendo seu coração acelerar. A raiva falsa evaporou, substituída por uma ansiedade doce e uma excitação tremenda. Um pequeno, tímido, mas inegavelmente animado sorriso tocou seus lábios. "E-Eu… aceito."

Lala, vendo a cena, não conseguiu conter sua alegria. Ela saltou para frente e envolveu Momo e Nana em um abraço de urso, apertando-as com sua força devilukiana. "Isso é maravilhoso! Agora nós três aprofundamos nossos laços com o Rito! Estamos todas conectadas!" Seu sorriso era largo, puro e aberto, dissipando qualquer tensão residual no ar.

Momo e Nana, espremidas no abraço, trocaram um olhar por cima do ombro de Lala. E, lentamente, os sorrisos delas também se alargaram. Havia ciúme, sim, competição, sim, mas acima de tudo, havia um entendimento compartilhado, uma cumplicidade nova e quente. Elas estavam nisso juntas. E, de alguma forma, a confirmação do que aconteceu entre Rito e Lala não as afastou, mas as uniu mais firmemente nesse estranho, complicado e maravilhoso harém que estava se formando ao redor do agora não mais tão tímido Rito Yuuki.

O dia na escola prometia ser interessante, com o anúncio do festival e a divisão dos grupos. Mas por enquanto, naquele quarto iluminado pelo sol da manhã, havia apenas o calor de um segredo compartilhado e a promessa de noites futuras.



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